quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Salário de R$ 5.659,63 para Técnico em Enfermagem em processo seletivo da Unioeste

Seleção oferece oportunidades para Técnico de Enfermagem. As inscrições serão realizadas online.

Processo seletivo

Está disponível o edital de nº 194/2026-GRE para o 4º processo seletivo simplificado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). A seleção oferece 100 vagas para a função de Técnico de Enfermagem, com atuação no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP).

Das 100 vagas, 85 são destinadas à ampla concorrência, 10 a candidatos afrodescendentes e cinco a pessoas com deficiência (PcD). Também haverá formação de cadastro de reserva para candidatos aprovados além do número de oportunidades imediatas.

Vagas e remuneração

Todas as oportunidades são para o cargo de Agente de Execução, na função de Técnico de Enfermagem, com lotação no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP/Unioeste), em Cascavel.

A remuneração informada no edital é de R$ 4.231,60, acrescida de Gratificação por Atividade de Saúde (GAS) de R$ 1.428,03. Dessa forma, a remuneração mensal pode alcançar R$ 5.659,63. A jornada é de 40 horas semanais.

O horário será definido de acordo com as necessidades do hospital e poderá abranger os períodos matutino, vespertino e/ou noturno, além de regime de escala, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

Para concorrer à função de Técnico de Enfermagem, é exigida formação técnica em Enfermagem de nível médio ou pós-médio. Na contratação, o aprovado também deverá apresentar registro profissional no órgão de classe competente.

Como participar

As inscrições serão recebidas de 4 a 23 de setembro de 2026, pela internet, por meio da página de concursos para agentes universitários da Unioeste.

O valor da taxa de participação é de R$ 100,00. O edital determina que o recolhimento seja feito pela Caixa Econômica Federal ou em casas lotéricas, conforme as instruções constantes no boleto.

Cada candidato poderá realizar apenas uma inscrição. É possível solicitar a isenção da taxa, observadas as condições previstas no edital.

Prova

A seleção será realizada em etapa única de prova escrita objetiva, aplicada na data provável de 12 de outubro de 2026, e de caráter eliminatório e classificatório.

O exame objetivo terá 30 questões de múltipla escolha, valerá 100 pontos e exigirá nota mínima de 60 pontos para classificação. Serão cobrados Língua Portuguesa, Matemática/Raciocínio Lógico, conhecimentos gerais, Legislação e conhecimentos específicos da função, com maior peso para a parte específica.

Consulte o edital completo no site da Unioeste para conferir os requisitos, o cronograma, o conteúdo da prova e todas as regras do processo seletivo antes de realizar a inscrição.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Enfermeira se fere com agulha de paciente com HIV e será indenizada



Profissionais que trabalham com elementos de insalubridade precisam ser apoiados pelas contratantes em caso de imprevistos. Essa conclusão levou a 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região a condenar uma empresa do ramo da saúde a indenizar uma enfermeira que se furou por acidente com uma agulha utilizada em um paciente portador de HIV.

Enfermeira não recebeu apoio da empresa e pagou com o próprio dinheiro exames e tratamento
A funcionária disse não ter recebido atendimento médico e medicação adequada da contratante depois do acidente, que aconteceu enquanto a enfermeira cuidava de um paciente soropositivo. Segundo a trabalhadora, os exames e tratamentos foram pagos do próprio bolso.

Com o desamparo, a mulher entrou com um processo para solicitar uma rescisão indireta de contrato, utilizada para encerrar um acordo por culpa do empregador.

Além disso, a profissional pediu para receber adicional de insalubridade em grau máximo, por atender pacientes com doenças infecciosas, e também uma indenização relativa à estabilidade do emprego — ela não chegou a se afastar mais de 15 dias de suas funções, mas houve acidente no local de trabalho e, pela Lei 8.213/1991, o funcionário tem direito a 12 meses de estabilidade no emprego quando há um acidente no trabalho.

A empresa negou ter cometido falta grave para justificar o fim do contrato por culpa dela e disse que a enfermeira não teria seguido o protocolo da organização após o acidente. Além disso, argumentou que pagava o adicional de insalubridade em grau médio e alegou não ser possível provar o contato permanente da profissional com pacientes com doenças infectocontagiosas, ou seja, não haveria motivo para pagar o grau máximo.

Risco no trabalho

No entanto, a desembargadora Rosana Salim Villela Travesedo, relatora do caso, apontou que a enfermeira tinha “contato habitual e intermitente com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas, inclusive em isolamento, o que rende ensejo ao pagamento de adicional de insalubridade em grau máximo, porquanto, em se tratando de exposição a agentes biológicos, a avaliação do risco é qualitativa, e não quantitativa”, como é previsto pelo TST.


Assim, a empresa precisará pagar de forma retroativa o adicional em grau máximo de insalubridade. A desembargadora também condenou a contratante a pagar indenização relativa à estabilidade do emprego, independente da enfermeira ter achado outro emprego depois.

Além disso, a magistrada confirmou a indenização de R$ 14 mil por dano moral, em referência ao desamparo sofrido pela profissional ao se acidentar com a agulha e ter que arcar sozinha com as despesas geradas por isso. A decisão da relatora foi apoiada com unanimidade pela turma.

Clique aqui para ler a decisão
Processo 0100460-42.2023.5.01.0452

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Enfermeiro usa jiu-jítsu para imobilizar paciente agressivo na Austrália


Um vídeo postado por um enfermeiro da Austrália, mostrando um ataque que sofreu de um paciente agressivo no hospital que trabalhava, viralizou na imprensa australiana e nas redes sociais.




Daniel Nelson, que trabalha na emergência do Royal Brisbane and Women's Hospital, em Brisbane, contou que as imagens são de outubro de 2024 e que decidiu compartilhá-las para fazer um alerta contra a violência contra profissionais de saúde no ambiente de trabalho.





"Eu fui vítima de agressão por parte de um paciente embriagado em uma área onde não havia visibilidade da parte do pessoal ou da segurança. Ele estava cuspido no chão, abusando do pessoal e, em geral, agindo como um completo idiota. (...) Em um ataque de genialidade, ele decidiu que queria um abraço. É seguro dizer... não deu certo como esperava. Não acho que ele esperava que um enfermeiro tivesse uma obsessão com o jiu-jítsu há mais de 10 anos. (...) A violência contra os trabalhadores da saúde não é "apenas parte do trabalho". É inaceitável", escreveu ele na legenda.


O sucesso do post foi tanto que a imprensa australiana procurou autoridades para falar sobre a questão. O secretário da Saúde de Queensland, onde fica Brisbane, afirmou que o governo estadual está implementando medidas para ajudar a proteger os profissionais de saúde.



"Os profissionais de saúde, os pacientes e a comunidade merecem sentir-se seguros e amparados em todas as instalações. O governo não está de braços cruzados quando se trata de violência no local de trabalho", disse o porta-voz dele à emissora australiana 9News.



Ainda de acordo com a TV, o agressor do vídeo se declarou culpado de agressão simples e foi multado em US$ 450 na ocasião.


Uma pesquisa realizada em 2026 pelo Sindicato dos Trabalhadores Australianos, com mais de 1.200 funcionários do sistema de saúde de Queensland, revelou que 69% deles já foram agredidos ou testemunharam agressões no local de trabalho.

Dispensa motivada por posição política gera indenização para técnica de enfermagem

 




Os julgadores da Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) reconheceram o caráter discriminatório da dispensa de uma técnica de enfermagem que trabalhava em um hospital localizado no Norte de Minas, por entender que o desligamento ocorreu em razão de sua suposta vinculação política à oposição da administração municipal. 

A decisão, de relatoria da desembargadora Sabrina de Faria Fróes Leão, manteve sentença oriunda da Vara do Trabalho de Januária quanto ao reconhecimento dos danos morais, mas reduziu a indenização de R$ 20 mil para R$ 15 mil, dando provimento parcial ao recurso da instituição de saúde nesse aspecto.

De acordo com a tese adotada pelo colegiado: “A dispensa por motivação política configura ato discriminatório passível de indenização por danos morais”.

Entenda o caso

Segundo o apurado no processo, a empregada atuava como técnica de enfermagem e foi dispensada sem justa causa após intervenção administrativa na instituição de saúde. Na ocasião, ela trabalhava no hospital há quase 22 anos. Testemunhas ouvidas no processo relataram que, naquele período, diversos trabalhadores foram desligados por não apoiarem o então prefeito do município. Também afirmaram que a direção do hospital, indicada pelo chefe do Executivo local, teria promovido as demissões com motivação política.

Uma das testemunhas declarou que, em cidades pequenas, é comum a dispensa de servidores considerados opositores do prefeito. Relatou ainda que, na época, não concordou com os desligamentos e que chegou a comunicar o fato ao Ministério Público.

Prova testemunhal e indícios de perseguição

Ao examinar o caso, a relatora destacou que a dispensa imotivada constitui direito do empregador, mas não pode ser exercido de forma discriminatória.

De acordo com a desembargadora, a prova testemunhal revelou que a ruptura do contrato da técnica de enfermagem não ocorreu por mera conveniência administrativa, mas por motivos ideológicos. O conjunto de provas demonstrou que a trabalhadora foi dispensada no contexto de substituição da gestão do hospital, com pessoas indicadas pelo prefeito, e de afastamento de empregados considerados alinhados à oposição política local.

Segundo a relatora, a situação caracteriza ato discriminatório, vedado pelo ordenamento jurídico. A decisão destacou que a Constituição Federal repudia qualquer forma de discriminação (artigo 3º, IV e artigo 5º, XLI) e que a legislação trabalhista proíbe a dispensa discriminatória, nos termos do artigo 4º da Lei 9.029/1995 e da Súmula 443 do TST.

A relatora não teve dúvida de que os direitos personalíssimos da técnica de enfermagem foram violados com a sua dispensa, em afronta à Lei 9.029/1995, que tem o objetivo de proteger os trabalhadores contra práticas discriminatórias. Conforme pontuou, o fato de outros empregados também terem sidos dispensados à mesma época não retira a gravidade dos fatos apurados pelo conjunto de provas.

Indenização reduzida

Embora tenha confirmado o reconhecimento do dano moral indenizável, a Terceira Turma considerou excessivo o valor inicialmente fixado pela sentença, de R$ 20 mil.

Na avaliação do colegiado, a quantia de R$ 15 mil mostra-se mais condizente para punir o infrator e compensar a dor da vítima, com efeitos pedagógicos, psicológicos e econômicos razoáveis, considerando que a situação vivenciada pela autora se enquadra no inciso II do parágrafo 1º do art. 223-G da CLT (ofensa de natureza média). Com isso, o recurso da empregadora foi parcialmente provido apenas para reduzir o valor da indenização. O processo foi enviado ao TST para exame do recurso de revista.

FAHECE-SC abre vaga para Técnico de Enfermagem em ambulatório


Fundação de Apoio abre processo seletivo público para cargo com curso de Técnico em Enfermagem e registro no COREN-SC. Inscrições vão até o dia 25 de agosto.


A Fundação de Apoio ao Hemosc (Fahece) em Santa Catarina, abriu um novo processo seletivo público para preencher uma vaga e formar um cadastro de reserva no cargo de Técnico de Enfermagem I - Ambulatório para atuar no CEPON no município de Florianópolis-SC, sob o regime da Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT, sem direito à estabilidade.

21/08/2026
25/08/2026
R$ 3.373,61
1

O cargo exige curso de Técnico em Enfermagem, registro no COREN-SC e experiência de seis meses na área de atuação. O salário será de R$ 3.373,61, mais benefícios como vale-transporte, estacionamento gratuito, seguro de vida em grupo, refeição no local, plano de saúde, plano odontológico, prêmio por desempenho, convênio com farmácia e universidades e folga no aniversário. A carga horária prevista para a função é de 44 horas semanais.

Inscrições abertas

As inscrições ficam abertas até as 23h59min do dia 25 de agosto, pelo site da Fahece. Todas as informações prestadas na ficha de inscrição serão de responsabilidade do candidato que, ao informar os dados, se responsabilizará pela sua veracidade e comprovação.

É de responsabilidade exclusiva do participante acompanhar a situação de sua inscrição e demais convocações.

Como serão as Provas

A seleção será realizada através da avaliação da ficha de inscrição e uma avaliação técnica/comportamental, ambas de caráter classificatório e eliminatório, conforme os critérios de pontuação estabelecidos no edital.

Veja os critérios de pontuação:

Categoria | Especificação | Pontuação

  • Carga horária total em cursos específicos relacionados à vaga dos últimos 36 meses
  • De 10 horas a 50 horas | 0,2
  • De 51 horas a 100 horas | 0,4
  • Acima de 100 horas | 0,6
  • Experiência profissional comprovada como Técnico em Enfermagem em Unidade
  • Ambulatorial
  • De 06 meses até 18 meses | 1,0
  • De 19 meses até 30 meses | 1,2
  • Acima de 30 meses | 1,4
  • Experiência profissional comprovada como Técnico em Enfermagem em Unidade
  • Ambulatorial, com pacientes oncológicos
  • De 06 meses até 18 meses | 2,0
  • De 19 meses até 30 meses | 2,2
  • Acima de 30 meses | 2,4

O edital terá prazo de vigência de seis meses, a contar da sua data de publicação, podendo ser prorrogado, a critério da FAHECE.

Florianópolis tem Processo Seletivo para Técnico de Enfermagem com salário de R$ 3,3 mil

Foto: Divulgação - pexels - Agora Floripa.










A oportunidade é para uma vaga por prazo determinado, com remuneração de R$ 3.373,61 e jornada de 44 horas semanais. O cargo também oferece benefícios que incluem plano de saúde, seguro de vida, refeição no local e prêmio por desempenho.

As inscrições seguem até 26 de agosto de 2026, às 23h59. O cadastro deve ser feito exclusivamente pelo site da FAHECE, na área Trabalhe Conosco, conforme as orientações do Edital de Processo Seletivo nº 407/26.

Vaga é para Técnico de Enfermagem no CEPON

O Processo Seletivo prevê uma vaga para Técnico de Enfermagem I – Internação – Prazo Determinado, com atuação no CEPON, em Florianópolis.

A jornada estabelecida é de 44 horas por semana, com salário mensal de R$ 3.373,61.

A contratação será feita pelo regime CLT, dentro das condições previstas para uma vaga por prazo determinado.

Para quem trabalha na área de enfermagem e procura uma oportunidade na Grande Florianópolis, o edital reúne requisitos, etapas e condições que precisam ser conferidos antes da inscrição.

Benefícios incluem plano de saúde e folga no aniversário

Além da remuneração, o profissional selecionado terá acesso a diferentes benefícios.

A oportunidade oferece vale-transporte, estacionamento gratuito, seguro de vida em grupo e refeição no local.

Após três meses, passam a fazer parte do pacote também plano de saúde, plano odontológico, prêmio por desempenho e convênios com farmácias e universidades.

O trabalhador também terá direito à folga no dia do aniversário, conforme as condições previstas para o benefício.

Inscrições começam nesta sexta-feira

O período de inscrições será aberto às 10h do dia 21 de agosto de 2026 e permanecerá disponível até 23h59 do dia 26 de agosto.

O cadastro deve ser realizado exclusivamente pelo site da FAHECE, no espaço Trabalhe Conosco, procurando pelo Edital de Processo Seletivo nº 407/26.

O prazo é curto, por isso os candidatos interessados precisam observar os horários estabelecidos e conferir as informações exigidas no edital.

Seleção terá duas etapas

O Processo Seletivo será dividido em duas etapas, ambas com caráter classificatório e eliminatório.

A primeira será a avaliação da ficha de inscrição, levando em consideração critérios como experiência profissional e cursos realizados na área.

Os candidatos que avançarem poderão participar da segunda etapa, que será uma avaliação técnica e comportamental.

De acordo com as regras da seleção, essa fase pode envolver análise de perfil, teste comportamental, dinâmicas, teste prático ou teórico e entrevista.

As etapas serão realizadas conforme os critérios e procedimentos estabelecidos pela FAHECE no edital.

Contrato pode ser renovado

O contrato inicial terá duração de até três meses.

Existe a possibilidade de uma renovação, desde que sejam atendidas as condições previstas no processo seletivo. O período total da contratação poderá chegar a dois anos, respeitando o limite estabelecido no edital.

O edital terá validade de seis meses a partir da data de publicação, podendo esse prazo ser prorrogado a critério da FAHECE.

Confira os principais detalhes

Cargo: Técnico de Enfermagem I – Internação – Prazo Determinado
Vaga: 1
Local: CEPON, em Florianópolis
Salário: R$ 3.373,61
Jornada: 44 horas semanais
Regime: CLT
Inscrições: de 21 a 26 de agosto de 2026
Horário de abertura: 10h do dia 21 de agosto
Encerramento: 23h59 do dia 26 de agosto
Edital: Processo Seletivo nº 407/26
Benefícios: vale-transporte, estacionamento gratuito, seguro de vida, refeição no local, plano de saúde, plano odontológico, prêmio por desempenho, convênios com farmácias e universidades e folga no aniversário
Etapas: avaliação da ficha de inscrição e avaliação técnica/comportamental
Contrato: até três meses, com possibilidade de uma renovação, limitado a dois anos
Validade do edital: seis meses, com possibilidade de prorrogação.

Inscrições pelo site www.fahece.org.br no link Trabalhe Conosco.

Técnica de enfermagem de 24 anos que passou cinco dias acorrentada em uma casa em Goiás decide falar e alerta mulheres: “No primeiro sinal, sai fora”

Vítima detalha os cinco dias em cativeiro e alerta sobre sinais de violência; agressor teve prisão preventiva decretada pela Justiça




Emiliane Tamara Nunes Carvalho relata em entrevista o cárcere privado e as violências sofridas. Foto: Phillipe Mendes especial CB/DA Press

Técnica de enfermagem mantida em cárcere privado por cinco dias em Águas Lindas de Goiás decidiu contar publicamente o que viveu. Emiliane Tamara Nunes Carvalho, 24 anos, foi resgatada na sexta-feira (21) por policiais militares do Entorno Oeste e deu entrevista ao  ainda com dores e tonturas. A mensagem que quis deixar foi direta: “Não aceite o inegociável. No primeiro sinal, sai fora. Porque eu tive vários sinais.”

Armadilha no estabelecimento do ex

Emiliane havia desaparecido em 17 de agosto após sair de casa para um depósito e uma consulta em clínica de estética. Antes, combinara encontrar o ex-companheiro, pai de seus dois filhos, para tratar de uma audiência de pensão alimentícia prevista para o dia seguinte. O encontro aconteceu na distribuidora que ele administrava. Segundo ela, a conversa sobre as crianças nunca aconteceu: Ailton Rodrigues de Souza só queria reatar o relacionamento. Os dois foram para os fundos do local, onde o ambiente já estava preparado. “Infelizmente era uma armadilha, lá já estava com tudo preparado, eu não tinha percebido”, contou.

Ela afirma ter recusado qualquer aproximação e que, em seguida, recebeu uma substância química que a deixou sem forças. “Eu estava consciente, eu ouvia tudo, mas eu não tinha mais força para debater”, relatou. Segundo seu relato, também sofreu violência sexual,

Cinco dias presa sem janela e sem relógio

Do estabelecimento, Emiliane foi levada a um imóvel no bairro América III, onde ficou acorrentada. As mãos eram soltas apenas para que ela pudesse comer, o que não acontecia em todas as refeições. Sem janela e sem relógio, perdeu a noção do tempo. “Eu não sei se é de manhã, se é de tarde, se é de noite, eu não tinha noção de nada disso”, disse.

Sinais de alerta em relacionamentos abusivos

A vítima relatou comportamentos que antecederam o crime e servem de aviso

⚠️ Agressividade latente

Reações desproporcionais e explosivas que surgem logo no início da convivência, mesmo em situações simples.

🚫 Isolamento social

Tentativas de controlar amizades e afastar a mulher de seu círculo social ou colegas de trabalho.

📍 Monitoramento de rotina

Interferência em horários e locais frequentados, como forçar a mudança de uma academia ou curso.

🗣️ Falsas promessas

Uso de discursos sobre mudança de comportamento e reconstrução familiar para atrair a vítima para emboscadas.

Antes de deixar o local pela última vez, o ex-companheiro teria proposto um acordo: “Nós podemos fazer um acordo, ou nós dois morremos aqui juntos, ou eu te passo todos os bens que nós temos.” Ele também pediu que ela escrevesse uma carta endereçada à própria mãe.

Os policiais chegaram ao imóvel após monitorar os deslocamentos do suspeito. Encontraram Emiliane algemada, com cordas, uma corrente de ferro e uma máscara no rosto. Ailton Rodrigues de Souza foi preso em flagrante por sequestro, estupro e cárcere privado. Em audiência de custódia no sábado (22), na 2ª Vara Criminal da Comarca de Ceres, o juiz Cristian Assis converteu a prisão em preventiva a pedido do Ministério Público de Goiás, apontando “ameaças reiteradas, constrangimento físico e restrição da liberdade” da vítima.

Emiliane Tamara Nunes Carvalho, 24 anos, foi resgatada na sexta-feira (21) por policiais militares do Entorno Oeste. Foto: Reprodução / Redes sociais
A defesa pediu liberdade provisória com medidas cautelares, mas o pedido foi negado. Ailton disse ser colecionador, atirador e caçador (CAC) e afirmou fazer uso de calmantes por “crises nervosas”. Ele permanece preso e o caso segue sob apuração da Polícia Civil de Goiás.

Sinais ignorados por dependência emocional

Separada desde dezembro de 2025, Emiliane conta que o comportamento explosivo do ex existia desde o início da relação, em 2020. Um dos episódios mais marcantes foi quando ele chegou a uma comemoração que ela havia organizado com colegas e destruiu o apartamento. Com o tempo, passou a controlar amizades, horários e até a academia onde ela treinava. “Ele sempre foi muito explosivo. Eu acho que qualquer pessoa que você perguntasse sobre ele diria isso”, afirmou.

Para ela, a pouca idade explica por que os alertas não foram percebidos. “Não sei se era amor, se era dependência emocional, porque eu casei com ele com 18 anos. O amor é cego, a gente não vê”, refletiu.

Já com alta hospitalar, Emiliane disse sentir dores intensas na boca e afirmou que os ferimentos visíveis são apenas parte do que sofreu. Antes da entrevista, havia publicado vídeos nas redes sociais mostrando lesões que, segundo ela, foram provocadas por ácido durante o cativeiro. Ela admite temer represálias e acredita que o ex não agiu sozinho, embora não queira acusar ninguém sem provas. Ainda assim, não se arrependeu de falar.

“Se toda moça que for estuprada ou sequestrada se calar, isso sempre vai ficar acontecendo. Alguém tem que ter coragem de ir lá e se expor”, disse. Sobre o futuro, foi breve: “Eu acredito que eu ainda vou sofrer muito com isso, mas eu vou passar dessa barreira.”

Onde pedir ajuda

  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, gratuita e disponível 24 horas em todo o país

  • Ligue 190 – Polícia Militar, para emergências

quinta-feira, 7 de março de 2024

Polícia indicia por xenofobia médico que chamou enfermeira de "nordestina burra" em Morro Reuter





 

Tanto suspeito quanto vítima trabalham na mesma unidade básica de saúde do município.

A Polícia Civil indiciou um médico de 63 anos que teria chamado uma enfermeira de "nordestina burra" em uma unidade de saúde de Morro Reuter, a 65 quilômetros de Porto Alegre. O homem chegou a ser preso em flagrante, no dia 12 de fevereiro, mas hoje responde ao caso em liberdade.

Segundo o delegado Felipe Borba, o indiciamento foi pelo crime de injúria xenofóbica. Em caso de condenação, o investigado pode cumprir pena de dois a cinco anos de prisão.

A prefeitura de Morro Reuter afirma que "uma sindicância foi aberta e está em curso para apurar a conduta do profissional". O município ainda diz que "repudia qualquer tipo de discriminação".

Os nomes do médico e da enfermeira, de 39 anos, não foram divulgados. A Justiça determinou o afastamento do profissional do trabalho na unidade de saúde onde foi registrado o caso.


Além da expressão, o investigado teria falado outras frases ofensivas, como "nós gaúchos trabalhamos o dobro para sustentá-los", "eles vão tomar conta do Rio Grande do Sul" e "o Brasil não vai pra frente por causa dessa gente", lista o delegado Felipe Borba.

Em depoimento, o médico negou as ofensas. No entanto, a polícia afirma ter elementos que indicam que houve o crime. Segundo a Brigada Militar, que registrou o flagrante, a ofensa foi presenciada por testemunhas, que também trabalham no local.

— O médico negou qualquer manifestação discriminatória, aduzindo que manteve a conversa em nível profissional, sem qualquer ofensa. Entretanto, os demais elementos de convicção colhidos durante a instrução do procedimento indicam que houve a prática do crime — conta o delegado.